Correr na subida gasta mais energia
Correr na subida requer bem mais esforço do que fazer a mesma atividade no plano, por isso incluir ladeiras no treino pode ser uma boa maneira de variar a intensidade e de aumentar o gasto energético.
“Muitas pessoas imaginam que apenas a velocidade é capaz de controlar o esforço, entretanto a inclinação também é uma variável que possibilita ajustarmos a intensidade do exercício, logo o gasto energético e a solicitação da atividade muscular são maiores quando comparados aos da corrida no plano”, explica Timoteo Araújo, professor de Educação Física do Centro Universitário FMU.
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Como as mudanças na inclinação do percurso demandam mais da musculatura, o ideal é o corredor se preparar melhor antes de encarar as subidas. “Qualquer alteração dos ângulos de corrida que fuja do plano, sejam aclives ou declives, é de maior preocupação, principalmente se estamos focando em pessoas que buscam a manutenção da saúde e/ou a melhora na aptidão física, tanto aeróbica como neuromotora”, fala o professor.
A subida é muitas vezes usada como parte do treinamento para quem está de olho na melhora da performance. “Tanto que existe um método de treinamento físico que utiliza dessa estratégia, variando a inclinação e o terreno para proporcionar uma sobrecarga diferenciada durante o treinamento, conhecido como fartlek”, conta.
Embora correr na subida obrigue o corredor a usar mais energia e ter mais força nos músculos, ao contrário do que muitos podem acreditar, a descida não é inversamente proporcional. “Muitas pessoas podem imaginar que, por se tratar de um declive, a solicitação para os nossos músculos é menor, entretanto quando caminhamos ou corremos na descida, nossos músculos atuam de forma diferente com relação ao controle da contração muscular”, diz.
Esqueça a ideia de que “para descer todo santo ajuda”. “Se for para descer sem nenhuma preocupação ou risco, podemos dizer que, sim, mas o santo da corrida não ajudaria nessa etapa. O ato de correr na descida pode parecer agradável, mas não é. Trata-se de uma ação motora, não muito usual e o risco de lesões ou de uso excessivo e repetitivo da musculatura das pernas, quase sempre em fase excêntrica, é alto e isso não é confortável”, conta o professor.
Araújo explica que a contração muscular isotônica, quando existe diferença entre a força gerada através da contração muscular e as resistências externas, pode ser classificada de 2 maneiras: concêntrica, quando a força gerada pelo músculo é maior que as resistências externas e, como resultado, observamos o encurtamento do músculo, e excêntrica, caracterizada pela força gerada pelos músculos ser menor que as resistências externas, estirando as fibras musculares. “A ação de correr em declive é uma atividade que aumenta a demanda da ação muscular por meio das contrações de forma excêntrica e, com este tipo de sobrecarga, vamos observar uma maior chance de microlesões na fibra muscular”, conclui.
