O que são estiramentos musculares?
Os estiramentos musculares, também conhecidos como distensões, acontecem quando o músculo é levado a um alongamento além da sua capacidade normal. “Ele é estirado ou distendido até que parte de suas fibras musculares comece a se lesionar, com pequenas rupturas, e a lesão será tanto mais grave quanto maior for a intensidade deste estiramento”, explica Jerônimo R. Skau, docente do curso de fisioterapia da Universidade São Judas Tadeu.
De acordo com o profissional, um terço das lesões relacionadas ao esporte são musculares e elas atingem, na maioria das vezes, os 4 principais grupos de músculos dos membros inferiores: isquiotibiais, na região posterior da coxa; adutores, na região medial da coxa e perto da virilha; quadríceps, na região anterior da coxa; e os músculos da panturrilha. “Tomados como um todo, os estiramentos musculares são responsáveis por ausências prolongadas do esporte e podem exigir uma longa reabilitação”, diz.
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As distensões musculares podem ocorrer em grau leve, moderado ou grave. Para evitá-las, mais importante do que alongar antes de fazer uma atividade física, é realizar um bom aquecimento para o movimento. “Para manter a flexibilidade, é fundamental que o músculo tenha boa condição de se alongar sem causar dano algum na sua estrutura, mas não é apenas de alongamento que se previne lesão. Para a prevenção, também é necessário manter uma boa condição de força muscular e flexibilidade em diferentes regiões do corpo”, diz o fisioterapeuta.
Um tipo de estiramento muscular bastante comum acontece nos músculos posteriores da coxa, principalmente quando há movimentos com mudanças rápidas de direção em esportes com bola ou durante uma corrida em máxima velocidade, como no tiro de 100 m, por exemplo. “É o tipo de lesão muscular mais frequente nas equipes profissionais de futebol e causa mais dias de ausência do que qualquer outro acidente durante a época desportiva”, afirma.
O tratamento para os estiramentos musculares costuma ser fisioterapia, além de repouso e aplicação de gelo. “Logo após a lesão, é comum usar a abordagem denominada Price: Proteção, Repouso, Ice (gelo), Compressão e Elevação, com intuito de controlar o processo inflamatório precoce, seguido por exercícios de reabilitação e terapia de treinamento gradual para recondicionar a estrutura lesionada”, explica Skau. “Iniciar o tratamento precocemente, dois dias após a lesão, reduz significativamente a chance de re-lesão e diminui o tempo de afastamento quando comparado ao tratamento iniciado uma semana depois”, complementa.
Segundo o profissional, no período de 12 semanas, o fisioterapeuta deve aplicar um tratamento com contrações musculares isométricas, ou seja, sem movimento na articulação, e isotônicas, com movimentos, além de fortalecimento muscular progressivo. “O tratamento inclui, ainda, estabilização de tronco e movimentos de agilidade. Outras abordagens de tratamentos que são bem estabelecidas em outras lesões parecem não ter os mesmos efeitos quando aplicados nas lesões musculares. É o caso do laser e das modalidades de eletroterapia”, fala.
O fisioterapeuta explica que o objetivo do tratamento é fazer o músculo chegar ao mesmo nível funcional de antes da lesão, possibilitando que o paciente volte a praticar o esporte e tenha risco mínimo de recorrência. “Em resumo, após uma lesão muscular, a reabilitação deve ser realizada pelo fisioterapeuta, iniciada o mais precocemente possível e o período de tratamento dependerá da extensão da lesão”, conclui.
