
Saiba mais sobre esportes em cadeira de rodas
São muitas as modalidades de esportes para PCD (pessoa com deficiência) e cada uma delas é praticada por atletas com diferentes níveis de deficiência. Entre as modalidades de esporte adaptado, algumas são praticadas sobre cadeiras de rodas desenvolvidas especialmente para elas.
É o caso do atletismo, do basquete, do rúgbi e do tênis em cadeira de rodas. No tênis, por exemplo, as cadeiras esportivas ganham rodas adaptadas para dar mais equilíbrio e mobilidade. No atletismo, os equipamentos são bem diferentes, com apenas 3 rodas: 1 na frente e 2 atrás.
Além de serem específicas para cada modalidade, as cadeiras de rodas precisam ser feitas sob medida para os atletas que vão usá-las. “Cada cadeira é feita para um atleta específico, já que cada um deles tem uma classificação funcional (nível de deficiência) diferente. É necessário que elas se ajustem ao corpo dele”, explica Eliane Miada, cofundadora e presidente do conselho da ADD (Associação Desportiva para Deficientes Físicos). Em uma comparação bem simplificada, para um atleta com deficiência usar uma cadeira que não foi feita para ele é como um corredor utilizar um tênis com a numeração errada.
Para cada esporte adaptado é levado em conta o tipo de deficiência do atleta: física, intelectual, visual e/ou auditiva, além do grau de cada uma delas. Por exemplo, no basquete em cadeira de rodas, os atletas recebem uma pontuação de 1 a 4,5 de acordo com sua classificação funcional. “A pontuação dos 5 que estão em quadra tem de somar, no máximo, 14 pontos. A equipe tem 12 pessoas e, quando vai escalar ou fazer substituições, o técnico precisa fazer essas contas”, diz Eliane.
Um dos maiores obstáculos encontrados por quem quer se tornar praticante de esporte adaptado é o custo desses equipamentos. Para a prática de basquete, uma cadeira de rodas pode custar de R$ 6 mil a R$ 12 mil. Para o atletismo, ainda não há fornecedores de cadeiras nacionais e um equipamento importado pode chegar a R$ 50 mil. “Para os atletas de alta performance, uma cadeira pode durar apenas 1 ano, mas, no geral, a manutenção mais frequente é de rodas, pneus e eixos”, conta Eliane.
As pessoas com deficiência que têm vontade de iniciar no esporte adaptado devem procurar associações e escolas de esporte perto de sua casa para receber orientações. “Às vezes, a pessoa quer uma modalidade que não é a indicada para sua deficiência. O nadador Daniel Dias, maior medalhista da natação paralímpica, chegou aqui querendo praticar basquete, por exemplo, mas após avaliação sugeriram que ele começasse a natação”, conta.
Desde que foi fundada, há 25 anos, a ADD já atendeu mais de 13 mil PCDs, incluindo 4 mil crianças. A associação tem um programa de iniciação ao esporte adaptado, voltado para crianças e jovens de 6 a 23 anos. “Nosso objetivo não é formar atletas, mas cidadãos”, finaliza a cofundadora da entidade.
